sábado, 7 de setembro de 2013

Rosely Sayão
folha de são paulo
A criança e a infância
O modo como a criança vive a infância depende de muitos fatores, entre eles o modo social de pensar a criança
"Não basta ser criança para ter infância." Essa frase contundente está presente no documentário "A Invenção da Infância" (disponível na internet) dirigido por Liliana Sulzbach, que propõe uma reflexão sobre os estilos de vida de nossas crianças no mundo atual. É uma frase que persegue meus pensamentos, conduz o meu trabalho e que, no último sábado, me fez pensar muito.
É que no dia 24 de agosto comemorou-se o Dia da Infância. Grandes reportagens a esse respeito nos veículos de comunicação ou mesmo pequenas notas lembrando a data, por acaso apareceram? De um modo geral, pouco vimos a esse respeito. A lembrança da existência dessa data parece ter ficado restrita aos grupos que, de maneira direta ou indireta, trabalham com e/ou para crianças.
Faz sentido esse silêncio da sociedade a respeito de uma data que, aliás, não deve ser considerada comemorativa. A infância está desaparecendo e temos contribuído de modo expressivo para isso. Como temos feito isso?
Para começar a pensar, temos de considerar que ser criança é um fato biológico, mas o modo como ela vive essa etapa da vida, que vai até a adolescência, depende de múltiplos e complexos fatores, entre eles o modo social de pensar a criança. É aí que entramos.
De um modo geral, cada vez mais a criança, notadamente a que pertence à família de classe média, tem sido tratada como um ser que precisa ser preparado para o futuro. Há algumas décadas, passamos a acreditar que quanto mais precocemente a criança for engajada em situações de estudos formais, maiores as chances ela terá de êxito no futuro.
Já temos inúmeros estudos e pesquisas que comprovam que iniciar o contato com o conhecimento sistematizado mais cedo não contribui no aprendizado que deve ocorrer a partir dos sete anos. Por isso, tudo o que conseguimos ao fazer isso é deixar de ver a criança em seu presente, ou seja, a vemos muito mais como um ser que, um dia, será alguém.
Também temos deixado a criança cada vez mais tempo na escola. As três ou quatro horas iniciais se transformaram, progressivamente, em cinco, seis, oito, dez e até 12 horas de permanência no espaço escolar! Se considerarmos que ir para a escola é o trabalho da criança, elas têm trabalhado demais, à semelhança de seus pais, os adultos.
Temos entendido que o tempo de permanência na escola é uma necessidade social já que os pais têm se dedicado muito à vida profissional. Conheço profissionais que trabalham muito além da jornada e justificam o excesso como necessário para dar conta da responsabilidade profissional. E a pessoal, com os filhos, onde temos colocado tal responsabilidade?
Crianças têm se alimentado como adultos que se alimentam mal. E, como estes, têm enfrentado doenças por causa disso. Esse fato não ocorre por falta de informação dos responsáveis pelas crianças e sim pela falta de paciência e dos cuidados necessários que elas necessitam.
Ah, mas elas pedem, exigem até, as porcarias ofertadas insistentemente e disponíveis em todos os cantos. Sim, mas por isso vamos permitir que fiquem escravas de seus impulsos e que consumam como adultos?
Abordei dois pontos apenas de nossa contribuição direta para o fim da infância. Há muitos outros. Por isso, todo dia deveríamos fazer essa reflexão: queremos que nossas crianças tenham infância, ou já consideramos esse conceito obsoleto?

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Transtorno da falta de contato com a natureza



extraído de http://www.rets.org.br/?q=node/1044

Por Germano Woehl Jr. - Transtorno da falta de contato com a Natureza (Nature Deficit Disorder), é um termo criado pelo escritor e jornalista norte-americano Richard Louv em seu livro de 2005, Last Child in the Woods (Tradução: A Última Criança nas Florestas). Refere-se à alegada tendência de as crianças terem cada vez menos contato com a natureza, resultando em uma ampla gama de problemas de comportamento. Esta doença não é ainda reconhecida em qualquer um dos manuais de medicina de transtornos mentais, como o CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde) ou o DSM-IV (Manual de Diagnósticos e Estatísticas de Transtornos Mentais) nem é parte da proposta de revisão deste manual
Louv alega que as causas para o fenômeno incluem o medo dos pais, acesso restrito às áreas naturais, e da atração pela TV ou computador. A pesquisa recente tem gerado um contraste maior entre a diminuição do número de visitas aos Parques Nacionais nos Estados Unidos e aumento do consumo de meios eletrônicos por crianças.
Richard Louv passou 10 anos viajando pelos EUA entrevistando e conversando com pais e filhos, tanto em áreas rurais e urbanas, sobre suas experiências na natureza. Ele argumenta que a cobertura da mídia sensacionalista e os pais paranóicos têm assustado as crianças de freqüentarem áreas naturais (matas, campos...), enquanto promove uma litigiosa cultura do medo que favorece a prática de esportes seguros com regras ao invés de brincadeiras criativas.
Ao reconhecer essas tendências, algumas pessoas argumentam que os seres humanos têm um gosto instintivo para a natureza, a hipótese da biofilia, e adotam certas medidas para passar mais tempo ao ar livre, por exemplo, em educação ao ar livre, ou através do envio de crianças a jardins da infância (Forest Kindergarden) ou escolas (Forest Schools) na floresta, que são escolas especiais criadas nos Estados Unidos e países da Europa, onde as crianças ou estudantes brincam e aprendem do meio de uma mata preservada ou bosque utilizando os elementos que encontram na nestes ambientes. Talvez seja uma coincidência que os adeptos do movimento Slow Parenting (pais sem pressa)* enviam suas crianças para educação em ambientes naturais, ao invés de mantê-los dentro de casa, como parte de um estilo livre de educar os filhos
*O movimento Slow Parenting (pais sem pressa) defende que “menos é mais”: menos coisas, menos actividades, menos pressa, menos pressão, menos expectativas. Mais tempo para crescer fará as crianças mais felizes. É um estilo de educação dos pais em que poucas atividades são organizadas para as crianças. Em vez disso, elas são autorizadas a explorar o mundo ao seu próprio ritmo. O movimento Slow Parenting tem o objetivo de permitir que as crianças sejam felizes e fiquem satisfeitas com suas próprias realizações, mesmo que isto não pode torná-las mais ricas ou mais famosas. Os pais das crianças de hoje são frequentemente encorajados a repassar o melhor possível de suas experiências de infância, para garantir a estas crianças o sucesso e felicidade na vida adulta.
A natureza não é apenas para ser encontrado em parques nacionais. O capítulo "Jardim do Eden em um terreno baldio", de Robert M. Pyle (página 305) enfatiza a possibilidade de exploração e fascínio em pequenas áreas que podem ser lotes desocupados de terrenos com vegetação nativa, e se alegra com as 30.000 lotes sem construção em Detroit, que surgem devido à decadência no centro da cidade.
Causas


• Os pais estão mantendo as crianças dentro de casa, a fim de mantê-los a salvo de perigo. Richard Louv acredita que podemos estar protegendo exageradamente as crianças de tal forma que se tornou um problema e prejudica a capacidade da criança de manter contato com a natureza. O crescente temor dos pais de "perigo desconhecido", que é fortemente alimentada pelos meios de comunicação mantém as crianças dentro de casa e no computador ao invés de explorar ao ar livre. Louv acredita que esta pode ser a causa principal de transtorno da falta de contato com a natureza, uma vez que os pais têm um forte controle e influência sobre a vida de seus filhos.

• Perda de paisagem natural no bairro ou cidade de uma criança. Muitos parques e reservas naturais têm acesso restrito e placas de advertência "não ande fora da trilha". Ambientalistas e educadores ainda adicionam a restrição ao dizerem às crianças "olhe, mas não toque". Enquanto eles estão protegendo o ambiente natural, Louv questiona o custo dessa proteção na relação as nossas crianças com a natureza

• Aumento de atrativos para passar mais tempo dentro de casa. Com o advento do computador, videogames e televisão as crianças têm mais e mais motivos para ficar dentro de casa, "A criança norte-americana gasta em média gasta 44 horas por semana com mídias eletrônicas"

Efeitos 


• As crianças têm limitado respeito ao ambiente natural mais próximo. Louv diz que os efeitos do transtorno da falta de contato com a natureza para os nossos filhos será um problema ainda maior no futuro. "Um ritmo crescente nas últimas três décadas, aproximadamente, de uma rápida perda de contado das crianças com a natureza tem profundas implicações, não só para a saúde das gerações futuras, mas para a saúde da própria Terra." Os efeitos transtorno da falta de contato com a natureza poderia levar a primeira geração em risco de ter uma expectativa de vida menor do que seus pais.

• Podem se desenvolver transtornos da atenção e depressão. "É um problema porque as crianças que não tiveram um contato com a natureza parecem mais propensas à depressão, ansiedade e problemas da falta de atenção". Louv sugere que ter atividade ao ar livre em contato com a natureza e ficar na calma e tranquilidade pode ajudar muito. De acordo com um estudo da Universidade de Illinois, a interação com a natureza tem provado reduzir os sintomas dos transtornos da atenção e depressão em crianças. Segundo a pesquisa, "No geral, nossos resultados indicam que a exposição a ambientes naturais nas atividades comuns após as aulas ou finais de semana pode ser muito eficaz na redução dos sintomas de déficit de atenção em crianças." A teoria da restauração da atenção desenvolve esta idéia , tanto na recuperação a curto prazo de suas habilidades, como na de longo prazo para lidar com o stress e adversidades.

• Seguindo o desenvolvimento dos transtornos da atenção e depressão e transtornos de humor, notas mais baixas na escola também parecem estar relacionados com o transtorno da falta de contato com a natureza. Louv afirma que estudos realizados na Califórnia e na maior parte dos Estados Unidos mostram que os estudantes das escolas que utilizam as salas de aula ao ar livre e outras formas de educação utilizando experiências com a natureza apresentaram significativamente melhor desempenho em estudos sociais, ciências, artes, linguagem e matemática. Fonte: Artigo Orion Magazine March/April 2007

• A obesidade infantil tem se tornado um problema crescente. Cerca de 9 milhões de crianças (6-11 anos) estão com sobrepeso ou obesos. O Instituto de Medicina afirma que nos últimos 30 anos, a obesidade infantil mais do que duplicou para os adolescentes e mais do que triplicou para crianças de 6-11 anos. Fonte: National Environmental Education Foundation

• Em uma entrevista publicada na revista Public School Insight, Louv citou alguns efeitos positivos do tratamento de transtorno da falta de contato com a natureza: “Tudo a partir de um efeito positivo sobre a atenção estendendo para redução do stress a criatividade, o desenvolvimento cognitivo e seu sentimento de admiração e de conexão com a Terra. "

A ONG No Child Left Inside Coalition (Coalizão “Não deixe as crianças dentro de casa") trabalha para levar as crianças para atividades ao ar livre e de aprendizagem ativa. A ONG espera resolver o problema do transtorno da falta de contato com a natureza. Eles agora estão trabalhando para aprovar uma lei nos Estados Unidos que aumentaria a educação ambiental nas escolas. A ONG defende que o problema do transtorno da falta de contato com a natureza poderia ser amenizado por "despertando o interesse do estudante para atividades ao ar livre" e estimulando-os a explorar o mundo natural por conta própria.

Fonte: Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O jeito certo de ir ao banheiro

"Nada mais comum do que uma bela ida ao banheiro para fazer o clássico número 2, mas o que você faria se a ciência te dissesse que todos aqueles anos foram feitos da forma incorreta e podem te causar doenças como hemorroidas e até câncer de cólon?

Um projeto intitulado de Squatty Potty produziu um vídeo educativo e bonitinho falando sobre o problema e apresentando uma solução “revolucionária” e simples para esse que pode ser um dos “maiores problemas da sociedade moderna” :P


 See more at: http://acidulante.com.br/tecnologia/a-sociedade-ocidental-caga-da-forma-errada-aprenda-aqui-a-forma-correta/#sthash.wrLnNFbh.ZStXz1Pw.dpuf"

http://vimeo.com/45270716

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Couve, o bife vegetal

couve está sendo chamada de bife vegetal pelo seu poder, mesmo grandioso, de nutrição. Comparada com outras verduras, está num patamar muito superior quando o tema são proteínas. Em tempos de revolução “verde”, onde ambientalistas defendem a redução da criação de animais (já que este seguimento da agro-indústria é tido como um dos maiores contribuintes para o aquecimento global), onde é cada vez maior o número de vegetarianos, e também dos defensores de uma alimentação mais saudável, há alimentos que estão recebendo o título de “future food”, ou a comida do futuro. Causa disso, as investigações científicas vêm centrando-se em descobrir quais são os vegetais que podem suprir a alimentação do ser humano de uma maneira mais completa, principalmente em proteínas. Como resultado, a couve já é chamada de bife verde. Além de ser totalmente capaz de suprir o organismo com as proteínas necessárias, contém um arsenal de nutrientes, que são fundamentais para a manutenção da saúde.

Nutrição completa

Inflamações como artrite, doença cardíaca, entre outras condições auto-imunes, estão associadas ao consumo de produtos animais. A couve, assim, é uma excelente alternativa, não só para substituir o consumo de carne (para os vegetarianos), como para que o organismo não sofra deficiência de proteínas (para aqueles que querem descansar o corpo do bife diário). Sendo um dos principais alimentos anti-inflamatórios no reino vegetal, é potencialmente indicada para prevenir, e até mesmo reverter essas doenças.
Por cada caloria, uma folha de couve possui mais ferro que um bife, e mais cálcio que o leite. Contêm grande riqueza em fibra, que é um macronutriente (leia-se que é uma necessidade diária do corpo humano). Quantidade insuficiente de fibras é uma das principais causas de desordens no aparato digestivo. Alimentos ricos em proteína animal, como a carne, possuem pouca, ou quase nenhuma fibra. Já uma porção média de couve garante 5% da ingestão diária recomendada.
Couve-o-bife-vegetal-2.jpgBRAND X PICTURES/THINKSTOCK
Se um pedaço de carne, normalmente, o que fornece são gorduras saturadas, a couve é rica em Ácidos Graxos Ômega 3, onde a porção média contém 121 miligramas de Ômega 3 e também Ômega 6. É rica em carotenóides e flavonóides, que são antioxidantes.
Os defensores do desenvolvimento sustentável do planeta, e os adeptos da comida saudável e orgânica, apontam outro motivo para que a couve substitua a carne: Couve cresce com facilidade em quase todos os tipos de clima, o cultivo é relativamente simples, seja numa fazenda, seja em casa. Por outro lado, para que se produza 1 quilo de carne bovinasão necessários 16 quilos de grãos, 11 vezes mais a utilização de combustível fóssil, e cerca de 2.400 litros de água. Se apesar desta enorme diferença no custo de produção, e de todos os benefícios nutricionais, seu cérebro está achando difícil construir a imagem mental de um churrasco de couve, calma. Enquanto a realidade do planeta permitir que as “futurefood” não sejam obrigação, basta apenas incrementar o consumo deste vegetal, pelo menos para primar pela saúde.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O direito de ser infeliz

Dias atrás, a jornalista Eliane Brum publicou em sua coluna uma entrevista com a psicóloga Rita de Cássia de Araújo Almeida. O tema, tão pertinente, rendeu linhas e mais linhas de reflexões que me fizeram, também, matutar sobre o assunto: por que não nos permitimos ser infelizes?
Os pensamentos e as conclusões interessantíssimas ali apresentados rodearam minha cabeça. Claro que a entrevistada vai além das questões que envolvem a maternidade, mas me ative especialmente a dois parágrafos por um motivo bem simples: o que é que muitos pais estão fazendo aos seus filhos. A afirmação que martelou fundo cá está: “Estamos produzindo uma geração de jovens que se quebram ao menor arranhão”.
Nunca fui de me preocupar excessivamente com as frustrações que meus filhos teriam ao longo de suas vidas. Tristeza, mágoa e até raiva fazem parte do ser humano – e, claro, não seriam meus meninos a passar ilesos por esses sentimentos. Confesso que, muitas vezes, eu poderia facilmente ter impedido que algumas lágrimas rolassem de seus olhos com apenas uma palavra. Mas não. Preferi seguir meu instinto de mãe e deixar que aprendessem que a vida é assim mesmo: num dia a gente tem, noutro não. E entre alegrias e sofrimentos, fui deixando que eles, apesar da pouca idade, aprendessem a lidar com aquilo que brota de dentro, do coração – e que muitas vezes dói fundo e chega a rarear o ar.
Mas tenho visto pais empenhadíssimos em criar filhos valentes, acima do bem e do mal, que desconhecem a palavra não e, portanto, não reconhecem o valor do respeito ao outro e, pior ainda, nunca experimentaram alguns sentimentos inerentes a todos nós. É disso que fala a reportagem: dos filhos que vêm sendo “condenados” à felicidade suprema por seus próprios pais. São crianças que pedem e são atendidas, que choram e ganham mais um brigadeiro, que gritam, se jogam no chão e conseguem mais um brinquedo mesmo que o dia não seja uma data especial e que depois de duas horas ele seja esquecido na gaveta, junto a outras dezenas de bonecos, carrinhos e jogos.
“(…) temos filhos que sabem como ninguém exigir a mercadoria que lhes convêm na prateleira. E temos pais que temem dizer não, pois não querem frustrar ou traumatizar seus filhos. Junta-se a isso uma sociedade que mede o grau de felicidade das pessoas pelo tanto de coisas, bens ou serviços que elas são capazes de consumir e chegamos a uma combinação perfeita. Que mais a sociedade de consumo pode querer?”
O tal direito à felicidade, de que tanto se fala em nossa e em outras sociedades atuais, põe à prova o real sentido do que é ser feliz. Ter tudo que se deseja? Não ficar triste? Não sentir raiva de alguém? Não chorar diante de uma perda? Porque se esse é o verdadeiro significado da felicidade, certamente nunca nenhum de nós a experimentará, e para sempre ela ficará restrita às produções de poetas, músicos e escritores, como pontuou Rita. Porque “não há como entender a felicidade com a razão, não é possível mensurá-la ou pensá-la como um modelo que valha para todos, todo o tempo”.
“(…) quando a felicidade for uma espécie de direito constitucional, poderemos também resolver nossas infelicidades nos tribunais. E assim seremos finalmente considerados incapazes de resolver por nós mesmos nossas frustrações e dificuldades de relacionamento.”
“Se estamos numa relação atribulada, felicidade pode ser um momento de solidão. Se estamos solitários, felicidade pode ser receber um telefonema. Guimarães Rosa, na pele de Riobaldo, diria assim: ‘No sertão, até enterro simples é festa’.”
Assim, talvez o melhor caminho seja justamente o inverso: o da infelicidade, que se sente quase todo dia e, sendo vivenciada em sua plenitude, é uma forma de se livrar das amarras que sentimentos não vividos nos impõem. Sentir tristeza, medo, solidão, frustração e aprender a compreender um não são premissas para a construção de uma criança sadia, coerente, forte e madura.
“Acredito que o desafio atual seja pensar um projeto coletivo capaz de trazer esse tema para a pauta, mas não para o campo da lei, da burocracia, da simples garantia de direitos, ou da ciência – mas, quem sabe, para o campo da ética. No campo da ética, as pessoas podem entender que elas também têm o direito de ficarem infelizes, que infelicidade não é doença, mas parte da condição humana – e que, sem ela, perdemos metade da nossa humanidade.”
Tati Arcolini
Tati Arcolini adora o sol, uma rede estendida sob as árvores e o vento que mexe os cabelos. Mas suas grandes inspirações mesmo são Cauan e Lucca, meninos felizes!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Feliz Ano Novo Maia!


Para os maias da etnia quiché da Guatemala um Novo Ano se inicia hoje! 
Para esse povo o ano novo sempre começa na data WAJXAQIB' B'ATZ' (Senhor do milho, Macaco). 
O senhor do milho nos ensina a renovar as coisas e a estar sempre presente.  O macaco nos ensina a dar continuidade em nossa vida com beleza e utilidade.
Que tal pegar carona nessa sabedoria tão antiga e começar hoje a dar continuidade a sua vida com presença, beleza e utilidade?

Feliz WAJXAQIB' B'ATZ'!

Não se leve tão a sério

Trecho do livro “The Pocket Pema Chodron“, por Pema Chodron.
––
A ideia fixa que temos de nós mesmos como sólidos e separados uns dos outros é dolorosamente limitadora. É possível se mover dentro do drama de nossas vidas sem acreditar tão fervorosamente no papel que desempenhamos.
Levar-nos tão a sério, e nos dar tanta importância em nossas próprias mentes, é um problema para nós; nos sentimos justificados em ficar irritados com tudo, nos sentimos justificados em nos autodenegrir ou em achar que somos mais espertos que as outras pessoas.
A auto-importância nos machuca, limitando-nos ao estreito mundo de nossos gostos e desgostos. Terminamos morrendo de tédio com nós mesmos e nosso mundo. Terminamos nunca satisfeitos.
Temos duas alternativas: ou questionamos nossos condicionamentos ou não. Ou aceitamos nossas versões fixas sobre a realidade, ou começamos a desafiá-las. Treinar em permanecer aberto e curioso — treinar em dissolver nossas suposições e condicionamentos — é o melhor uso para nossas vidas humanas.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Reflexões

Às vezes não precisamos necessariamente remover nossa negatividade, precisamos apenas aprender como fazê-la trabalhar a nosso favor em vez de contra nós. Por exemplo, meu Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA) costumava me impedir de alcançar alguns objetivos, até que eu percebi que em vez de me esforçar tanto para escrever um livro, eu deveria escrever vários ao mesmo tempo. Aos 33 anos me tornei um prolifero autor graças ao que eu considerava uma grande fonte de negatividade em minha vida! Quanto maior a escuridão, maior a Luz que pode ser revelada quando a transformamos para o bem. Não se livre dela, transforme-a!

Yehuda Berg 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O que estamos tentando defender?


Este é um trecho do livro, “Além do materialismo espiritual”, por Chögyam Trungpa. Retirado do blog: http://sobrebudismo.com.br/o-que-estamos-tentando-defender/
A voz lógica do ego nos aconselha a sermos bondosos para com as demais pessoas, a sermos bons meninos e boas meninas e a levarmos inocentes vidinhas. Trabalhamos em nossos empregos habituais e alugamos um quarto ou um apartamento aconchegante para nós; gostaríamos de continuar dessa maneira mas, de repente, alguma coisa nos arranca de nosso ninhozinho seguro. Ficamos extremamente deprimidos ou algo chocantemente doloroso acontece. Começamos a perguntar-nos por que o céu se mostra tão impiedoso. “Por que Deus haveria de castigar-me? Tenho sido uma boa pessoa, nunca fiz mal a ninguém.” Mas há na vida algo mais do que isso.
O que estamos tentando defender? Por que estamos tão preocupados em proteger-nos? A súbita energia da compaixão implacável nos arranca de nosso conforto e segurança. Se nunca experimentássemos esse tipo de choque, não seríamos capazes de crescer. Temos de ser sacudidos, atirados para fora dos nossos regulares, repetitivos e confortáveis de viver. O fundamental da meditação não é sermos apenas honestos ou bons no sentido convencional, preocupados somente em manter a nossa segurança. Precisamos começar a tornar-nos compassivos e sábios no sentido básico, abertos e nos relacionarmos com o mundo como ele é.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

JARDINEIROS TENDEM A SENTIR MAIS FELICIDADE E MENOS DEPRESSÃO


Pode parecer óbvio, mas agora as pesquisas provaram que jardinar faz você mais feliz.

Uma recente avaliação de 1.500 pessoas no Reino Unido revelou que 80% dos jardineiros sentem-se satisfeitos com suas vidas, comparados a 67% daqueles que não praticam jardinagem. O professor Jules Pretty da Universidade de Essex afirmou: “Haveria um 
grande benefício para a saúde da sociedade se as pessoas se automedicassem mais com ‘exercícios verdes’“.

Outros estudos descobriram que apenas 30 minutos de jardinagem ajudam as pessoas a se recuperarem do estresse e reduzem seus níveis de cortisol, o hormônio do estresse. E que o simples ato de colher uma fruta ou vegetais faz com que o cérebro libere a “substância química do prazer”, a dopamina, que ativa os centros de recompensa do cérebro.

De acordo com o autor Monty Don, “A terra cura. Você coloca suas mãos no solo e se recarrega, e você está cuidando da terra. É uma relação de simbiose, e é poderosa!”

Esteja você arrancando ervas daninhas ou aguando orquídeas, isso é ‘polegar para cima’ para seu dedo verde!


http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20522508